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A Nova Ágora

A Internet, do ponto de vista de um urbanista.

Alan Borger; Ágora, 2014 – 150 x 100cm

A cidade é o produto máximo da cultura. Gigantescas obras de arte a céu aberto, em constante transformação. Uma construção sem preço, sem prazo, sem orçamento nem data de entrega. Não há limite para o dinheiro a ser investido em uma cidade porque é ali que vivemos, que a civilização humana se dá, onde acontece a Política e a Economia, na Pólis, na Urbis e não há espaço mais simbólico do próprio Ethos da cidade, do que a praça pública, a Ágora. 

Foi na Ágora de Atenas, 2.500 anos atrás, que inventamos os conceitos de democracia, de liberdade, de justiça. Lá já falávamos de astronomia, geometria e matemática abstrata. Grandes filósofos debatiam em público, as questões mais profundas da humanidade, professores ensinavam, alunos aprendiam, já havia música, teatro e poesia e para cada uma destas funções sociais, criamos um prédio em volta desta praça, uma edificação concreta e simbólica de cada uma destas virtudes e preceitos humanos. 

A Praça da Matriz nas colônias portuguesas, a Plaza de Armas ou Plaza Mayor nas espanholas e a Main Street nas britânicas, são o próprio símbolo da civilização, do desenvolvimento, do progresso, com seus luxuosos palácios, grandes  edifícios públicos significando o poder do Estado e da Autoridade. Ali estará a Prefeitura, o City Hall ou a Assembléia Legislativa, estará também a Igreja, o Banco, o Fórum de Justiça, o Teatro Municipal, a Escola, o Mercado, o Hospital. 

Por esta praça passaremos todos, em nossos afazeres cotidianos, estudando, trabalhando, encontrando os amigos na hora do almoço ou indo às compras. Dos momentos mais triviais aos mais significativos, o primeiro beijo, o casamento, o nascimento e a morte de nossos próximos. O Tempo e Espaço de nossas vidas. 

Esta primeira contextualização serve de base para vários questionamentos e reflexões a serem feitos acerca da cidade contemporânea, da sua evolução histórica, de prognósticos sobre a sua sustentabilidade tal como a conhecemos hoje, da qualidade de vida de mais de metade da população do planeta que vive em áreas urbanizadas (desde Out. de 2009) e da distribuição e destino de nossos recursos, sejam eles econômicos, naturais ou humanos. Este debate é fundamental e deve ser tido desde a pré-escola até os escritórios corporativos e os centros acadêmicos mas ainda assim, deixemos isto de lado por ora. 

Ars (Arte) é a tradução latina da palavra grega Techné (Técnica). Especialmente quando fala-se de cidades, podemos perceber o quão próximos são até hoje, os dois conceitos. A cidade é a expressão de uma cultura local. Há cidades abertas e fechadas, cinzas ou coloridas. Há cidades planejadas, caóticas, que se expressam por pequenas vielas em torno de um Duomo ou largas avenidas em torno de um Shopping Mall. Há cidades mais ou menos democráticas, mais ou menos festivas. Mas a cidade também é fruto da técnica. Da resposta dada à geografia local. Da engenharia de seus diques e viadutos, palácios e arranha-céus. Desde o controle do fogo e a pedra lascada, que "A Técnica é a Mãe do Homem", como diz Paulo Mendes da Rocha e a tecnologia de hoje, agrega ainda mais um novo aspecto à cidade contemporânea; os Espaços Virtuais, a Internet, os Aplicativos de Smartphone. Acima do metrô, das tubulações, das ruas, dos prédios, há uma nova camada de inteligência em nossas cidades, estamos entrando no mundo das Smart Cities.

A Internet é a Ágora do Século XXI. Cada vez mais, nossa Caverna de Platão, os espaços onde gastamos nosso tempo a debater idéias, fazer compras, encontrar os amigos e pagar as contas, é online. Instituições até então consolidadas e quase incontestáveis, como os bancos e as instituições financeiras, a democracia direta representativa, os modelos pedagógicos vigentes, estão de repente, em cheque, ameaçados respectivamente pelo Crowdfunding (ver o U.S. Jobs Act), pelo Crowdsourcing da representatividade direta (ver VoteNaWeb e Constituição da Islândia pós 2008), pelo Hackschooling e outras opções de aprendizado online (como EdX, iTunesU, TED, RSA, Khan Academy, etc.) e estes são só alguns dos monumentos e edifícios públicos em volta de nossa praça mítica, que estão sendo finalmente revistos.

Neste mundo um tanto "Matrix", em que os urbanistas estão escrevendo código de programação, a nossa praça virtual começa a ser definida. Com isto, não apenas os conceitos e regras de conduta civil estão sendo reescritos - e por isto a importância de regulamentação quanto à neutralidade e privacidade da rede - mas também os novos edifícios a circundar este importante espaço público estão se consolidando conforme o tempo passa. 

No lugar do antigo prédio dos correios, Google, Yahoo e Microsoft estão construindo cada uma o seu palácio mas quem cuida da companhia de telégrafos e telegramas é o Twitter, e o Whatsapp. Cartões postais vão para a sede do Facebook que também cuida da sua vida social, do bar com os amigos, de ver a movimentação do sexo oposto, coisa e tal, ainda que o banco da praça, bom pra namorar, seja o Tinder ou o Match.com. Aliás, o Facebook é a própria vizinha fofoqueira, que passa a vida olhando pra rua, vigiando e julgando a vida dos outros. Não é a toa que receba tantas queixas quando se abre toda sendo o informante da cidade para a polícia, a NSA que tudo filma e armazena por nenhum motivo especial, exceto para usar isto contra você quando lhe convier. É importante conhecer os players deste jogo e como as regras e o tabuleiro estão sendo desenhados e, melhor ainda é tomar parte ativa neste processo, exigir destes prestadores de serviço, no mínimo os mesmos direitos que já foram conquistados offline durante séculos de desenvolvimento humano. 

O domínio do Fogo, da Roda e da Energia Atômica, como toda tecnologia, pode ser usado com boas ou más intenções. A Internet tem o potencial de democratizar o acesso a informação, de tirar da escuridão bilhões de pessoas em comunidades rurais, remotas, isoladas. O potencial de se estabelecer como uma plataforma onde novas soluções podem ser inventadas, concomitantemente ou paulatinamente, por pessoas de diversas idades e formações, de todos os cantos do mundo. A Internet pode ser um grande fórum de debate para que gente de todo o mundo discuta as suas prioridades ou decida em conjunto um plano de metas para o desenvolvimento sustentável da vida no planeta. Mas a Internet tem também o potencial de transformar o mundo em uma Sociedade do Controle, um Estado de Vigilância pior do que Orwell poderia imaginar. Estamos voluntariamente entregando nosso envelope para os correios, sem a menor garantia de que ele não será aberto até chegar no seu destino. 

Neste momento do conto, nossas duas cidades se fundem, vêm prestar socorro uma à outra. Enquanto as cidades reais estão à beira do colapso, com manifestações populares, violência urbana, falta de mobilidade, intenso contraste social e alta disparidade econômica, a solução parece vir de ferramentas e serviços online como Moovit, EasyTaxi, VoteNaWeb, InovarCidade (...) e campanhas organizadas via hashtag como: #NãoVaiTerCopa, #Occupy, #ArabSpring, #Bike, #LGBT (...). Ao mesmo tempo, quando a Internet estava em apuros, com a possibilidade da legislação  U.S. CISPA/SOPA ou do Marco Civil da Internet no Brasil, o povo saiu às ruas, de volta a velha praça pública, para reclamar seus direitos.

A moral da história é que uma modalidade de espaço não vai substituir a outra mas pode enriquecê-la, como uma Realidade Aumentada que funciona nos dois sentidos. Cabe a nós desenhar estas ferramentas conforme desejamos. Será que teremos semáforos que se comunicam com veículos liberando o trânsito de acordo? Lixeiras que avisam os garis quando precisam ser esvaziadas? Calçadas que captam a energia solar e as águas da chuva? Ou será que teremos um app onde todos no metrô, a caminho do trabalho, podem votar pessoalmente no que está sendo decidido no congresso, sem que haja há necessidade de um intermediário para seu voto e ainda, que esta votação tenha definido que a prioridade, antes de instalar os novos semáforos, será resolver a rede sanitária de um determinado bairro desta cidade-estado imaginária..?

Smart Phones, Smart TV´s e Smart Cities, vão exigir Smart Humans. Somos 7,15 bilhões de pessoas em 2014. Talvez 9 bilhões em breve. Há 1,5 bilhões de Smartphones em circulação. Há mais de 2,2 bilhões de pessoas conectadas à internet, 1,1 bilhão, no Facebook. As cidades maiores e que mais crescem são Karachi, Lagos, Jakarta, Mumbai, Dhaka, e mais uma dúzia de cidades chinesas com mais de 20 milhões de habitantes das quais nunca nem ouvimos falar. Londres, Paris e Berlim têm crescimento demográfico negativo isto é, a cada ano, menos pessoas moram ali, paralelamente pelo alto custo de vida e por se tratar de sociedades e economias mais desenvolvidas e estagnadas. Ainda assim, estas cidades assim como as outras, estão enfrentando a favelização e a gentrificação de suas camadas mais excluídas, a destruição comum do meio ambiente, a falta de emprego, o caos urbano, a sucatização dos equipamentos de bem-estar-social, etc. Hoje há primeiros e terceiros mundos dentro de qualquer cidade do globo, dependendo exclusivamente do acesso ao poder de compra. Este é o tão promulgado sucesso, proclamado com a queda do muro em 1989, do capitalismo tardio neoliberal e da globalização; tratemos de colocá-lo para trabalhar a nosso favor e não o contrário.  

Ainda não inventamos um app que exija transparência do governo ou que salve vidas no trânsito, a criatividade humana chegou antes em algo que coloca fotos de pessoas ao seu redor para serem jogadas para lá ou para cá conforme seu gosto mas já é um passo. Sem dúvidas, somos uma sociedade global mais conectada desde o protocolo HTTP e o sucesso da empreitada humana no planeta depende da engenhosidade das próximas gerações. O que sempre nos pareceu impossível, é sempre possível da noite pro dia, graças a persistência de alguns poucos e loucos. Toda nova poesia é escrita com vocabulário disponível para expressar um desejo comum a todos, mas há ali, a criação de algo que pode mudar o rumo da história. Nas palavras do poeta, arquiteto e urbanista, que se considerava o lastro, a relação com o passado do modernismo brasileiro, encerro este registro para provar que do velho, é que é feito, o novo. 

"O Novo Mundo já não é este lado do Atlântico, nem tampouco o outro lado do Pacífico.O Novo Mundo já não está à esquerda nem à direita mas acima de nós. É preciso elevar o espírito para alcança-lo, pois já não é uma questão de espaço, porém de tempo, de evolução e de maturidade. O Novo Mundo é agora a Nova Era, e cabe à inteligência retomar o comando." *Dr. Lucio Costa (O Novo Humanismo Científico e Tecnológico, 1961)



Alan Borger.
São Paulo, 10 de Junho de 2014

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